Na tentativa de diminuir os custos com combustíveis, o uso de motocicletas e bicicletas tem ganhado a rotina de muitos brasileiros. Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) apontam que a venda de motos, no primeiro bimestre deste ano, cresceu 14% no Brasil, se comparado a janeiro e fevereiro de 2021.
Apesar da alta nos negócios fechados, quem deseja adquirir o bem está pagando até 23% mais caro, além de aguardar por até quatro meses nas filas de espera das concessionárias de Belo Horizonte e região metropolitana para retirar as motos. Isso ocorre devido a problemas enfrentados por montadoras na aquisição de chips e demais insumos que integram a produção no mercado externo, as revendas estão com os estoques de pronta-entrega praticamente zerados.
Na concessionária Minas Motos, por exemplo, que faz a venda da linha Honda, o faturamento cresceu 25% neste ano. O gerente comercial Ângelo Mendes, que atua com vendas há 22 anos, afirma que o setor de motos vive o melhor momento. “A gente vem em um crescimento desde meados de março. Hoje não tenho nenhuma moto em pronta-entrega e isso é uma característica de BH, do estado e do Brasil em todas as concessionária”, revelou.
Ele relata que a campeã de vendas é o modelo CG Fan 160. O modelo, conforme o gerente, é o mais comprado para quem vai usar a moto a trabalho, como entregadores em plataformas de delivery, e em deslocamentos diários. “Cada vez que a gasolina aumenta a gente observa um novo público enxergando a moto como possibilidade. Hoje com a moto você gasta um terço do que gastaria em combustível com o carro”, frisa.
Ângelo relata que os reajustes de preços que antes ocorriam 2 vezes por ano, chegam a acontecer quase que bimestralmente agora. “Os suprimentos eletrônicos e todos os componentes da motocicletas ficaram mais caros”, explica. O motoboy Donizeti Ferreira, de 24 anos, observou o crescimento. Em 2019, ele comprou uma Honda CG Titan por cerca de R$13 mil. “Eu uso ela para o meu sustento, trabalhando em aplicativos. Mas o preço da moto está lá em cima, paguei quase R$15 mil”, relata.
Em lojas de revenda da Suzuki, o problema também é notado, com tempo de espera podendo chegar a dois meses, além de preços mais elevados. “Nem estoque tem. E como a gente não tem previsão de chegada e de preços, não trabalhamos com fila de espera para não gerar insatisfação ao assumir compromisso com clientes”, afirma Vinicius Amaral, proprietário de rede de lojas de bicicletas e de concessionárias de motos.
Gasolina é vilã
O economista-chefe da Fecomércio Minas, Guilherme Almeida, diz que o uso de motos é saudável para a saúde financeira das famílias em um momento de pressão inflacionária sobre combustíveis. “Só em 2021, um terço do Índice de Preços ao Consumidor Amplo foi correspondente à gasolina. Teve um peso relevante na variação de preços em 2021 e continua neste ano”, afirma.
Almeida ainda explicou que a dificuldade na fabricação de motocicletas tem relação com o conflito entre Rússia e Ucrânia e com os impactos da pandemia na China, de onde vem a maior parte dos insumos importados. “Ainda que o bem consumido, comercializado no brasil não seja importado, o insumo utilizado no processo produtivo é importado do país chinês. Então temos um impacto decorrente desse choque de oferta que é esperado até o fim do primeiro semestre”, ressalta.
Economia e bem-estar
Com o atual preço médio do litro da gasolina em Belo Horizonte, de R$7,52, de acordo com pesquisa do Mercado Mineiro, o motorista que tem um carro de modelo popular com tanque de 48 litros paga em torno de R$361 para o abastecimento de todo o recipiente. O gasto, no entanto, não é uma realidade na vida do psicólogo Henrique Cardoso Nunes, de 37 anos. Ciclista desde a infância, ele uniu o gosto pelo pedal à prática de exercício físico e necessidade de economia.
“Eu não ando de bicicleta só pela questão econômica, mas acaba que influencia sim”, conta. Ele mora no bairro João Pinheiro, na Região Noroeste, e trabalha no Nova Granada, Oeste da capital. O trajeto que hoje faz de bicicleta, sem custos, custaria um tanque de combustível ao mês, ou R$45 semanais com passagens. De acordo com o economista-chefe da Fecomércio, Guilherme Almeida, o planejamento pode ajudar na tomada de decisões para trocar o modal de transportes.
Ele aconselha que as pessoas com desejo de trocar o carro ou o ônibus por motos e bicicletas tenham uma reserva para conseguir barganhar bons preços no mercado. “Se a utilização desse bem é urgente, um financiamento direcionado para a aquisição pode ser ideal, com linhas de crédito mais baratas”, opina.
Transporte em duas rodas
Frota nacional de motos: 24.732.701
Frota de motos em Minas: 2.764.247
Frota de motos em BH: 250.857
Vendas de motos no Brasil em 2022 (jan e fev): 163.693 unidades
Produção estimada de motos no Brasil em 2022: 1,3 milhão
Fonte: Denatran
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